terça-feira, 6 de outubro de 2009

ÉTICA e a pesquisa de mapear cérebros de homicidas Renato Flores no RS

Prezada Ana Beatriz:
 
Alguns colegas das ciências humanas estão debatendo o que tratam como questões éticas referentes a pesquisa de mapear cérebros de homicidas, do professor Renato Flores.
 
 
Contudo, essa pesquisa de mapeamento não teria surgido no RS, e sim em SP, há mais tempo, localizei uma reportagem da Veja:
 
 
Também a referência ao seu livro, mentes perigosas...
 
 
Um professor das ciencias sociais da UFRGS me comentou que alguns políticos é que deveriam ser examinados porque, tese interessante, o índice de psicopatia seria similar ao dos apenados, com a diferença de que os mais espertos se mantém fora da cadeia... O Presidente do CRMRS questiona o ataque à pesquisa:
 

Os psicopatas - sendo "eloqüentes, charmosos, capazes de impressionar e de cativar rapidamente", NO SISTEMA CARCERÁRIO fingem ter se recuperado, e manipulam as circunstâncias ao seu redor, e terminam sendo liberados pela "Justiça" muito antes de terminar a sua pena, até porque os presídios estão superlotados. E os psicopatas voltam as ruas para prosseguir em sua jornada de maldade e em grau pior porque estão mais experientes !

Abaixo, um texto do Wanderley Soares com mais de 30 ANOS  de jornalismo policial na Capital Gaúcha, sobre fato ocorrido há 3 anos, e que conheces bem, do sistema penal:

Cavalheiro, o bandido que não abandonou a profissão

                        Wanderley Soares, Jornal O Sul, de Porto Alegre, 28/3/2006, Caderno Colunistas, p.8:

Recebendo uma nova chance através da progressão da pena para o regime semi-aberto, ele não decepcionou a si mesmo.

O bandido Francisco dos Reis Cavaleiro, 43 anos, capturado sexta-feira última [antes de 28/3/2006] em Gramado, pode ter seu grau de periculosidade analisado, mesmo por um cidadão comum, através da simples leitura de suas condenações, que soma 75 anos e 11 meses de prisão. No início deste ano, psicólogo ou psicólogos, mais burocratas da Susepe (Superintendência dos Serviços Penitenciários), entenderam que este cidadão, então recolhido à Pasc (Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas) apresentava comportamento irrepreensível atrás das grades. Um juiz de execução criminal, considerando que Cavalheiro cumprira 1/6 da sua condenação e mais a papelada que apresentava o paciente como bem comportado, concedeu a chamada progressão da pena para o regime semi-aberto. Cavalheiro dormiu a noite de 20 de janeiro na Casa do Albergado Padre Pio Buck e, na manhã do dia 21, não foi mais visto. Coitadinho, saiu sem café da manhã. Ora, meus caros, Cavalheiro é um profissional do crime; no rastro de sua vida, há roubos e assassinatos. Quinta-feira última, ele participou de um assalto à agência do Banrisul em Gramado que resultou, inclusive, no ferimento à bala de uma senhora que passava de carro pelo local. Continuo eu, por tudo isso, com a tese de que os critérios de avaliação para a concessão da progressão da pena, mesmo passando por psicólogos, psiquiatras e burocratas, devem ter a presença de um juiz e de representantes do Ministério Público e da OAB, cara a cara, vis-à-vis co o sentenciado. Assim, a responsabilidade será melhor pesada, dividida e cobrada. Fora disso, não haverá avaliação do apenado real, mas, sim, do apenado-papel.

Quando Cavalheiro fugiu do semi-aberto, eu escrevi: "Um bandido como Cavalheiro em regime semi-aberto passa a ter o direito de ir e de vir em igualdade de condições com uma pessoa que não tenha cometido crime algum. Em regime fechado, criminosos profissionais, sabemos todos, estão em constante contato com seus cúmplices fora da cadeia e até mesmo comandam determinadas operações. No semi-aberto essas atividades são festivas, sem problemas. É sábio também que criminosos profissionais se disciplinam meses e até anos para ludibriar psicólogos, assistentes sociais, médicos, policiais, juízes e tantos quantos especialistas que representam, no todo, seus carcereiros".     

Um professor de direito constitucional lembrou que a isonomia exige tratar igual aos iguais e desigual aos desiguais e que o direito penal moderno que usa penas de restrição tem por objetivo recuperar. Concluiu que, se  os psicopatas não são recuperáveis pelo método tradicional de encarceramento, a sociedade teria o direito (e o poder público o dever) de identificar quem tem tal característica e para evitar colocar nas ruas pessoas perigosas. Esse estudo, çportanto,s eria um mecanismo para viabilizar um método adequado e eficiente para separar os provavelmente recuperáveis dos improváveis.

Lembre que - sem o juízo de valor normal - o psicopata desenvolve habilidades de mentir e manipular desde cedo, e ao agir no seu excluisivo interesse, com facilidade dominam os grupos em que seja permitida sua nefasta influência. Assim, assumem o controle interno do sistema carcerário, e impõe o seu padrão aético e violento, o que impede ou, pelo menos, dificulta a recuperação dos demais apenados. Isso leva á falência de todo sistema penal, com o crescimento da criminalidade, colocando em risco toda sociedade.



 

Acompanhando o andamento da ciência, para além do consentimento informado

 

Claudia Fonseca, Doutora em Antropologia, Professora do PPGAS/UFRGS

Carmem Maria Craidy, Doutora em Educação, Professora do PPG-EDU/UFRGS

 

 

Saiu no dia 26 de novembro uma matéria na Folha de S. Paulo sobre uma pesquisa envolvendo cientistas universitários e representantes da Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul que se propõem a mapear os cérebros de cinqüenta adolescentes homicidas (a serem comparados com os cérebros de cinqüenta adolescentes não-infratores) e, assim, descobrir como se produz uma mente criminosa.  Desde então, circula na Internet, na grande imprensa e em outros fóruns públicos uma discussão acalorada, a favor e contra a proposta.  Defensores do projeto, sublinhando as respeitáveis credenciais de seus autores, expressam o receio de que ataques precipitados acabem por cercear a autonomia da ciência.  Críticos sugerem que o princípio de autonomia jamais exime o pesquisador da responsabilidade de avaliar as implicações morais e éticas de seus procedimentos. Devemos lembrar que a maioria de nós não conhece a proposta original.  Mas é justamente por causa das idéias que estão sendo veiculadas pela mídia que cabe certo trabalho de esclarecimento.

 

Uma pesquisa sobre adolescentes homicidas levanta inquietações de diversas ordens. Em primeiro lugar, o foco em infratores institucionalizados arrisca reforçar preconceitos que supõem uma relação intrínseca entre cor, classe e comportamento anti-social.  Sabemos, por exemplo, que no Rio e em outras metrópoles a polícia é responsável por boa parte das mortes violentas.  Porém, a maioria de nós acharia absurdo fazer ressonância magnética para checar tendências violentas nos cérebros desses profissionais.  Além disso, é pouco provável que eles ou seus superiores institucionais aceitassem participar de tal pesquisa.  Saberiam que a simples notícia dessa investigação com sua premissa de uma tendência fisio-biológica à violência bastaria para reforçar preconceitos contra a polícia. 

 

Por que aceitar essa pesquisa tão facilmente entre adolescentes privados de liberdade?  Porque nos abrigos, como nas cadeias, concentram-se as pessoas que menos têm voz não por causa de alguma tendência inata, mas porque quanto mais pobre e escuro for o acusado de qualquer crime, maiores serão suas chances de ser detido, condenado e encarcerado.  O próprio funcionamento do sistema cria dentro das instituições uma amostra questionável mais representativa de pobres e discriminados do que de qualquer inclinação criminosa. Daí a segunda inquietação:  esses indivíduos estão em condições de negociar os termos de sua participação numa pesquisa acadêmica? 

 

Depois da Segunda Guerra Mundial e da constatação de atrocidades perpetradas por cientistas do regime nazista, a comunidade científica mundial se viu incumbida -- em Genebra, Nuremberg, Helsinque -- de estabelecer as bases éticas de sua prática.  No alto na lista de prioridades constava o princípio de que nenhum sujeito humano deveria ser incluído numa investigação sem ter compreendido e assentido, livre de qualquer coerção, aos riscos e objetivos da pesquisa.  Num primeiro momento, reinava uma crença ingênua de que regimes autoritários tinham o monopólio da má ciência. O espírito crítico, a transparência e a neutralidade, vistos como atributos típicos das democracias ocidentais, seriam os ingredientes necessários e suficientes para o bom desenvolvimento científico.  Foi um médico da Universidade de Harvard, Henry Beecher, o primeiro a levantar suspeitas quanto à ética de pesquisa no seio da democracia.   Em 1966, ele publicou um levantamento de 22 projetos desenvolvidos por cientistas qualificados e bem-intencionados em que os seres humanos examinados tinham sido, de alguma forma, prejudicados pela pesquisa.  Uma das críticas mais alarmantes era que os sujeitos pesquisados faziam parte de populações que não tinham condições de recusar participação: recrutas militares, portadores de deficiência mental, idosos...  Seguindo nessa linha de reflexão, a investigação científica envolvendo adultos ou adolescentes privados de liberdade seria ainda mais preocupante.  Pergunta-se: esses indivíduos estão em condições de negociar os termos de sua participação numa pesquisa acadêmica? Trata-se de uma questão ética que vai muito além da assinatura em um formulário de consentimento informado.

 

Certamente, é do interesse de adolescentes privados de liberdade receber todos os benefícios de tratamento e terapia que o aparelho estatal tenha a oferecer. O problema não é aplicar testes para realizar programas voltados para o bem-estar dos indivíduos em questão. O perigo surge quando projetamos generalizações a partir de casos individuais, usando estereótipos que envolvem aspectos de cor e de classe para formular as hipóteses e orientar as interpretações.

 

Se, por ventura, fosse constatada uma desproporção de jovens com problemas neurológicos no grupo de adolescentes homicidas, caberia então localizar, como grupo de controle, adolescentes não-infratores com problemas semelhantes.  Investigar os fatores que levaram ao relativo sucesso destes últimos apontaria para as condições sociais (terapêuticas e outras) relevantes para a realização individual e o entrosamento na vida social.   Sem esse cuidado metodológico, o problema da pesquisa se transforma em tautologia, garantindo de antemão conclusões que ligam patologia médica com comportamento anti-social.

 

Há no Brasil inúmeros centros de estudos interdisciplinares que reúnem pesquisadores para tentar entender o fenômeno da violência.  Já demonstraram, com farta ilustração empírica, o impacto de fatores tais como qualidade de educação, possibilidades de renda, atividades de lazer e cultura, acesso ao consumo e busca de visibilidade social.  Sem dúvida, concordariam que a violência é um problema de saúde pública, mas insistiriam que a saúde envolve muito mais do que eventuais problemas cerebrais.  Preocupados com as conseqüências políticas e éticas da pesquisa, eles evitariam termos reducionistas (adolescente homicida, mente criminosa) que arriscam reforçar o estigma contra as pessoas pesquisadas. 

 

Enfim, o saber científico não se constrói em termos maniqueístas.  Pesquisadores de todas as áreas lidam com dilemas éticos que não são de fácil solução. A presente polêmica, ao relevar as inevitáveis facetas políticas e morais de qualquer pesquisa, tem o efeito salutar de ampliar o círculo de interlocutores, alertando inclusive os leigos para a necessidade de acompanhar de mais perto o andamento da ciência.

 

Nota:

No dia 05 de janeiro, submetemos à apreciação da Folha de S.Paulo o artigo acima, a respeito de discussões inspiradas na reportagem de Rafael Garcia sobre uma pesquisa no Rio Grande do Sul com adolescentes homicidas. Dois dias depois recebemos uma manifestação de interesse de Rafael Garcia, repórter do setor Ciência, dizendo que não tinha idéia de que o assunto tivesse repercutido tanto, já que esta é a primeira carta que nós recebemos aqui na editoria de ciência sobre essa reportagem.  No dia 10, fomos convidadas a submeter uma versão abreviada de nosso texto (3.800 toques) para ser publicada no Caderno Mais do domingo seguinte, junto com outros artigos sobre o tema.  Aceitamos fazer a redução solicitada. Sábado, dia 19, o repórter entrou em contato para dizer que o artigo sairia só na segunda-feira, e devido a um anúncio que tinha entrado na página devíamos cortar imediatamente mais 10 linhas.  Não querendo agir de forma leviana, e considerando que uma das autoras estava em viagem, informamos que não seria possível efetuar os cortes nesse curto prazo. 

 

Foi com grande interesse que acompanhamos a publicação das matérias na segunda, dia 21 de janeiro.  Contudo, estranhamos o editorial de 22/1 em que a FSP ataca um grupo de pesquisadores e ativistas que se assustaram com os termos da pesquisa tal como foi retratada pela Folha.  Sem fazer referência ao artigo original da própria FSP que fala em mapear o cérebro de adolescentes homicidas para descobrir como se produz uma mente criminosa, o editorial descreveu a pesquisa já em termos mais sofisticados. Falou em jovens sob custódia do Estado que cometeram homicídios; entrou Descartes, saiu a mente criminosa.  Com isso, os editores eximiram-se de qualquer responsabilidade pelo tom acalorado do repúdio.  Em vez de mediar um debate necessário, a Folha optou por acirrar a celeuma criticando um bate-boca que ela mesma criou. 

 

 

 

JÜRGEN HABERMAS    O FUTURO DA NATUREZA HUMANA 

    Habermas nasceu na Alemanha em 1929. Lecionou filosofia e sociologia na Universidade de Frankfurt. Foi diretor do Instituto Max-Plank. Em 1994 se aposentou. Autor de vasta obra, que compreende hermenêutica jurídica, críticas ao positivismo, o tecnicismo, análise do Marxismo e muitos outros temas. Habermas é representante da Segunda fase da Escola de Frankfurt.

   A eugenia é uma ciência que estuda as condições mais favoráveis à reprodução e ao aperfeiçoamento da raça humana, tento como país pioneiro dessa prática, a Inglaterra.

   Os Estados Unidos também adotaram essa prática no intuito de criar uma raça nórdica superior. Ao longo das seis primeiras décadas do século XX, milhares de americanos não puderam ter filhos, nem construir família. Leis que implementavam a esterilização foram promulgadas e estabelecidas em cerca de vinte e sete estados dos EUA para previnir que determinados indivíduos tivessem descendentes. Dentre esses indivíduos estavam: deficientes mentais, classe indigente, alcoólatras, criminosos, epilépticos, insanos, suscetíveis a doenças, fisicamente deformados e quem tivesse defeitos nos órgãos dos sentidos.

   O apogeu se deu mesmo na Alemanha, onde Hitler estabeleceu que criaria uma raça ariana dominante, isto é, sem descendência judaica. Hitler impôs o extermínio de judeus. Para tanto, forçou os judeus a praticarem trabalhos forçados nos campos de concentração, onde muitos morriam. Outros eram vítimas das câmaras de gás, outros foram cobaias dos cientistas de Hitler para testar a resistência humana. Além de muitos serem exterminados em sua própria casa.

   No livro "O FUTURO DA NATUREZA HUMANA", Habermas faz o seguinte questionamento: Podemos dispor livremente da vida humana para fins de seleção?

   O livro é composto por algumas conferências que Habermas apresentou nos anos de 2000 e 2001. O autor inicia com a "Moderação Justificada", na qual ele parte da diferença entre a teoria Kantiana da justiça e a ética do ser si mesmo de Kierkegaard. Conforme a ética pregada por este último, o indivíduo é responsável por suas ações, ou seja, isso faz dele um ser insubstituível e inconfundível, sem se desligar do divino. Habermas assume, de certa forma, a posição de Kierkegaard na hora de defender que as posições religiosas, às quais se sentem ofendidas devem ter direito à voz no debate, o que ele denominou de ética da espécie. Segundo o autor, a biotecnologia moderna veio para confrontar significamente com a autocompreensão normativa da espécie como num todo. A programação genética, obviamente, interfere na autocompreensão normativa do indivíduo programado, pois este não pode se entender como único autor do seu projeto de vida, mas sim, como um projeto de preferências, em geral, dos seus pais. Nessa parte do livro, Habermas recorre a Kant, e a sua distinção entre coisa e pessoa. É exatamente nesse ponto, que eu destaco que no momento, o qual nossos pais escolhem o nosso conteúdo genético, de certa forma, eles estão negando a recombinação de seus próprios genes. Isso é extremamente questionável, pois duas pessoas que negam as suas características genéticas, talvez, não tenham condições de saber quais são as mais adequadas para seus filhos.

   A próxima conferência citada e comentada no livro foi: "A caminho da eugenia liberal". Nela, Habermas discuti acerca do Diagnóstico Genético de Pré-implantação (DGPI). A partir disso, ele distingue a eugenia positiva da negativa. A positiva visa aperfeiçoar o patrimônio genético, enquanto que a negativa visa o tratamento de doenças hereditárias. Assim como Habermas sustenta que até parece justificável a negativa e extremamente condenável a positiva, eu também sustento essa mesma idéia.  Voltando ao Habermas, a terapia gênica está tornando tecnicamente "disponível" aquilo que, até então, era "indisponível" e isso exige um controle moral com a finalidade de tornar normativamente "indisponível". Isso quer dizer que o avanço tecnológico está se expandindo de uma tal forma que nem a natureza está escapando. Antes, o homem evoluía de acordo com as suas necessidades devido ao ambiente em que vivia e, também, de acordo com as mutações no seu genoma. Agora, o homem tem praticamente a evolução da sua espécie nas suas próprias mãos. Então, a eugenia liberal busca o aperfeiçoamento da raça humana, orientada pelas preferências individuais, isto é, altera entre a natureza e a liberdade. A mudança da autocompreensão ética causada pela terapia gênica, principalmente na linha de aperfeiçoamento, impede de nos enxergarmos como únicos autores de nossa própria história de vida e nascidos sob as mesmas condições. Depois, Habermas se dedica à questão da dignidade humana e à dignidade da vida humana, em especial, da vida humana pré-pessoal do embrião utilizado nas pesquisas.

    Outro assunto debatido no livro, foi a questão do aborto em que posições conservadoras (Pro Life)  defendem uma proteção absoluta do embrião fertilizado, e os liberais (Pro Choice) que defendem o direito de autodeterminação da mãe de decisões que afetam o seu corpo. Em contrapartida, o livro mostra que o DGPI distingue-se da interrupção da gravidez, porque pode prevenir um aborto futuro na medida em que o diagnóstico genético de pré-implantação pode identificar uma doença hereditária e, a rejeição do embrião evitaria a necessidade de abortar. Esse foi outro fator que mereceu a minha atenção, pois se eu rejeito um embrião e se eu faço um aborto do feto já formado porque obtém algum tipo de anomalia, estou de uma maneira ou de outra, tirando a possibilidade de vida desse indivíduo. Para mim, uma das funções do DGPI seria "mascarar" o que poderia ser um futuro aborto. Por isso, tanto um quanto o outro, não fogem de um conflito moral. No aborto, há o direito de proteção de vida do embrião e o direito de autodeterminação da mulher. No DGPI, a decisão do patrimônio genético é que causa discordâncias. O DGPI e a terapia gênica podem ser moralmente aceitáveis se tiver um possível consentimento da pessoa afetada pela intervenção genética. O suposto consentimento, somente pode ser evocado, quando se busca a prevenção de um mal extremo. Habermas introduz, também, que a pesquisa genética tem neutralizado a distinção entre o que é produzido e o que se transforma por natureza. Outro ponto a ser destacado é que, para Habermas, o direito de tutela dos pais quanto à educação seria ampliada ao patrimônio genético, pois estes formulariam intenções que mais tarde se transformarão em expectativas que talvez não batam com a dos seus filhos, não que isso já não ocorra, mas se acentuará.

    Depois das duas conferências apontadas acima, segue o Posfácio que consiste nas respostas de Habermas sobre a eugenia liberal. Ele critica que o Estado não pode intervir nas decisões da composição do patrimônio genético, apenas os pais que podem decidir isso. Reafirma que a pessoa geneticamente programada não poderá se compreender, talvez, como única autora de sua vida, causando uma insegurança, pois não nasceu sob condição padrão da natureza.

  Finalizando, a conferência "Fé e Saber", na qual o autor aborda o tema da secularização na sociedade pós-secular. Ele começa referindo-se a dois episódios da história comtemporânia: o debate a respeito da biotecnologia que está dividida entre o ceticismo científico e a oposição cega à ciência e, o atentado de 11 de setembro ao World Trade Center em Manhattan que estaria ligado à religião e, logicamente, ao Osama Bin Laden.

  A idéia dos pais escolherem o padrão genético de seus filhos é um paradoxo. Primeiro, porque não aceitam o seu próprio padrão?  Segundo, porque causará conflitos na  família. Certamente, os filhos entrarão em conflito com seus pais, pois irão questioná-los a respeito dos seus genomas e de não terem nascido de maneira convencional. Terceiro, a maneira de como os pais escolheram o patrimônio genético de seus filhos, pode não ser o mesmo que estes gostariam de ter. No caso de evitar doenças graves, pode ser que seja admissível; no entanto, é preciso que mesmo esse caso seja mais estudado. Se pararmos para pensar, escolher o padrão gênico de um filho irá custar muito caro, pelo menos no início, ou seja, somente as pessoas que ascendem economicamente é que terão direito a esse recurso. Entretanto, escolher o padrão gênico de um filho, não significa que ele vá necessariamente sair perfeito ou bonito como se espera. Outro aspecto é que a biotecnologia pode, talvez, modificar toda a natureza orgânica do indivíduo, menos a sua parte psicológica, isto é, aspectos como personalidade, caráter e inteligência.

 

Infertilidade e Técnicas de Reprodução Assistida

 

 

          A infertilidade tem sido definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a incapacidade de um casal conseguir a gravidez após um ano de relações sexuais regulares sem o uso de métodos anticoncepcionais, aumentando sua possibilidade de ocorrência com a idade. Ao desejar ter um filho e se deparar com a infertilidade, um casal pode vivenciar conflitos e crises ao nível individual e conjugal. A infertilidade pode ser classificada como primária que se refere às mulheres que nunca conceberam e como secundária que abrange as mulheres que já conseguiram engravidar ou que tiveram abortos e não conseguiram mais conceber. As técnicas mais utilizadas na tentativa de proporcionar a gravidez ao casal são: correção cirúrgica de algum fator que esteja contribuindo para a infertilidade conjugal (reversão de vasectomia), estimulação ovariana com coito programado (utilizam-se medicações que estimulam o ovário a produzir óvulos), inseminação artificial (deposição de espermatozóides diretamente no útero) e fertilização in vitro (ocorre a nível laboratorial, o óvulo já fertilizado é implantado no útero).

         A infertilidade é uma experiência médica, psicológica e social que exige uma redefinição, pelo casal, de suas identidades como indivíduos e como parceiros. Alguns estudos identificam que a lealdade familiar está caracteristicamente baseada em laços biológicos e hereditários. A continuidade emocional e biológica de geração em geração forma a identidade familiar. Consequentemente, muitas mulheres e homens experenciam pressões tanto internas quanto externas para terem filhos  e, muitas vezes, as técnicas de reprodução assistida (TRA) acabam sendo a última opção para conceberem um filho biológico. É comum casais inférteis serem tomados por um senso de vergonha por não serem capazes de reproduzir como outros casais. O diagnóstico de infertilidade é vivenciado de forma diferente por homens e mulheres. As mulheres veem a infertilidade como um fracasso de seu papel, já os homens sentem-se frustrados e fracassados quanto a sua masculinidade e virilidade.

      Em suma, as técnicas de reprodução assistida são recursos possíveis para favorecer a realização do que é conhecido como desejo, isto é, do subsistema conjugal ter filhos, quando o mesmo está privado de realização natural.

 

Algumas Questões Éticas:

 

v     Casais têm o livre arbítrio para escolherem como querem te filhos. Normalmente, os casais que optam pelas TRA são questionados em relação a não optarem pela adoção de crianças.

v    Médicos têm garantido aos casais que a inseminação por doador é "o mesmo que ter seu próprio filho", que "ninguém precisa saber" e que "uma vez que vocês tenham seu filho, você esquecerá como ele veio ao mundo". Essas garantias podem oferecer um conforto temporário para um casal infértil.

v    Médicos aconselham aos casai que optam pela técnica de doação de gametas a não contarem para ninguém e sequer a criança que optaram por fazer esse método.  Direito dos pais à privacidade ou direito da criança em saber como foi concebida?

v    Como proceder em relação ao doador de gametas? Deve-se manter o anonimato?

v    Como tratar das TRA? Seria uma comercialização das relações pessoais?

v    O que fazer com os embriões excedentes? Doar para que outros casais inférteis tenham a possibilidade de terem filhos, descartá-los ou doá-los para fins de pesquisa?

 

Referências:

•Borlot, A. M. M., & Trindade, Z. A. (2004). As tecnologias de reprodução assistida e as representações do filho biológico. Estudos de Psicologia, 9(1), 63-70.

•Colpin, H. (1994). Parents and children of reproductive technology: Chances and risks for theis weell being. Community alternatives: International Journal of Family Care, 6(1), 49-71.

•Oriá, M. O. B., & Ximenes, L. B. (2004). Casais inférteis diante da fertilização in vitro: o significado de vivenciar essa decisão. Acta Paul. Enf., São Paulo, 17(3), 278-285.

•Schaffer, J. A., & Diamond, R. (1994). Infertilidade: Dor pessoal e estigma secreto. In E. Imber-Black (Ed). Os segredos na família e na terapia familiar. Porto Alegre: Artes Médicas.

• Seger-Jacob, L. (2006). Estresse na gênese e no tratamento da infertilidade. In R. M. M. Melamed & J. Quayle (Eds). Psicololgia em Reprodução Assistida: Experiências brasileiras (pp.121-153). São Paulo: Casa do Psicólogo.

 

 

Existe uma "Teoria do criminoso nato" de Cesar Lombroso (1835-1909), criminólogo italiano, e pai da Biotipologia Criminal, pela qual os criminosos (em potencial) apresentam determinadas conformações cranianas denunciativas da tendência a determinados delitos.

 Anos após o lançamento da sua tese, Lombroso tornou-se pesquisador adepto da doutrina espírita(*) e reconheceu ter tomado o efeito pela causa na elaboração da sua "biotipologia criminal":        O cérebro não determina a criminalidade potencial da pessoa...

Ganha determinada conformação devido à ação plasticizante do psiquismo do espírito reencarnado sobre o encéfalo do corpo carnal. Enfim, somos produto do que fazemos e pensamos.

A Lombroso deve-se creditar, na criminologia, o fato de ter contribuído enormemente para humanização e a individualização das penas aplicáveis aos delinquentes. O livro de Lombroso sobre as pesquisas chama-se: "Fenômenos Espíritas e Hipnóticos" e haveria tradução em português, na livraria da FERGS.

 


                 " Para realizar grandes sonhos
                         Precisamos GRANDES sonhos... "

 

     Atenciosamente,
     Prof. PADilla* Luiz Roberto N. Pad!lla 
*    DIR2 - Departamento de Direito Privado e Processo Civil
     Secular e histórica  Faculdade de Direito da  U F R G S
     Campus Central Porto Alegre Cep 90046-900 (51)3308 3322

Qualidade Abril 2009:
http://gevestibular.abril.com.br/selos_ge2009.asp?CursoGraduacaoID=235462&opid=154661
Anos anteriores:
http://www.padilla.adv.br/ufrgs

     Telefone (51) 92 54 94 00 - Fax (51) 3205 0000
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Em que 
 
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