sexta-feira, 21 de junho de 2013

Protestos, vandalismo e a Teoria das Janelas Quebradas

Protestos, vandalismo e a Teoria das Janelas Quebradas:

Manifestações no Brasil 2013 surpreenderam a Fifa

Contudo, Fifa descartou cancelar a Copa das Confederações e a Copa do Mundo de 2014

Polícia usou bombas de gás em protesto em Salvador  Crédito: Juan Barreto / AFP / CP
Polícia usou bombas de gás em protesto em Salvador Crédito: Juan Barreto / AFP / CP
A Federação Internacional de Futebol (Fifa) surpreendida pelos protestos que acontecem em várias cidades brasileiras durante a Copa das Confederações. Segundo o porta-voz da federação, Pekka Ordiozola, "ninguém estava esperando" as manifestações, que protestam, entre outras coisas, sobre os gastos públicos para a realização da Copa do Mundo de 2014.
Mesmo sem esperar que acontecessem as manifestações, segundo o porta-voz do Comitê Organizador Local da Copa das Confederações, Saint-Clair Milesi, a organização do evento estava preparada para diversos cenários envolvendo a segurança dos envolvidos no torneio.
"Do lado operacional, para as medidas de segurança, nós pensamos em muitos cenários, mas não esperamos que isso fosse acontecer. Você precisa estar preparado para qualquer coisa", disse Milesi.
Milesi qualificou como um boato a informação de que a Itália planejava deixar a Copa das Confederações devido aos protestos. "A própria Itália está achando absurda [essa informação]", disse o porta-voz do Comitê. De acordo com a Fifa, nenhuma seleção fez um pedido oficial para abandonar a competição.
Pekka Ordiozola descartou cancelar a Copa das Confederações e a Copa do Mundo de 2014. Segundo ele, não há como dizer se haverá mudança no esquema de segurança para o evento que acontecerá no Brasil no ano que vem. "Faremos análises após a Copa das Confederações, para avaliar o que deu certo e o que deu errado", afirmou.
Sobre o apedrejamento de ônibus da Fifa em Salvador ontem, Ordiozola informou que ninguém ficou ferido porque os veículos estavam estacionados, vazios, quando foram alvejados por manifestantes. Segundo o porta-voz, o presidente da entidade, Joseph Blatter, que não está mais no Brasil, está sendo constantemente informado sobre os protestos no país.

Governo admite possibilidade de convocar o Exército no Rio

Prefeitura de Porto Alegre estima R$ 825 mil em prejuízos

Dilma encerra reunião sem declarações para a imprensa

Gilberto Simon  21/6/2013 às 14:41 http://wp.me/pl9z0-cLx

Brasil tem o transporte público mais caro do mundo:


Valor das tarifas e a renda em cidades do mundo. Conclusão: ou a renda no Brasil é muito baixa porque a tarifa é alta

Em meio aos debates e manifestações sobre o preço do transporte público no país, a equipe do Mobilize Brasil foi garimpar informações sobre o valor das tarifas em outras cidades do mundo. E concluímos que nas cidades brasileiras o custo relativo do transporte é alto, muito alto.
Encontramos todos os dados reunidos no site Numbeo, que tem uma seção inteira dedicada ao custo de vida nas cidades. O site é uma plataforma colaborativa que reúne dados atualizados de milhares de localidades, incluindo qualidade de vida, trânsito, criminalidade, assistência e saúde, poluição, custos de viagem e vários outros indicadores.
Selecionamos algumas cidades de vários continentes e verificamos a adequação das tarifas às rendas médias reais locais, tal como fizemos no Estudo Mobilize 2011 e na seção Acompanhe a Mobilidade. A ideia é mostrar quantos bilhetes de transporte se pode comprar com essa renda média.
Finalmente, comparamos os resultados obtidos nas cidades mundiais com aqueles relativos às cidades brasileiras. No Brasil, com a renda média das cidades é possível adquirir cerca de 630 bilhetes de ônibus ou metrô, contra 1.581 de Nova York, 2.002 em Tóquio, ou 2.986 bilhetes na Cidade do México.
Uma explicação para essa enorme diferença pode estar no baixo subsídio governamental ao transporte público, cerca de 12%, enquanto alguns países chegam a bancar 70% dos custos das tarifas, segundo o especialista Lúcio Gregori.
A média brasileira está mais próxima de Lisboa, onde o salário médio de 850 Euros (R$ 2.422,50) pode comprar 608 bilhetes no valor médio de 1,40 Euros (R$ 3,99). Ou de Londres, onde as 2.000 Libras (R$ 6.700,00) do salário médio compram 667 bilhetes simples de metrô, ao valor de 3 Libras (R$ 10,05).
Veja o gráfico com a comparação das várias cidades e a tabela, que mostra os dados de cada localidade.
Fontes: Numbeo (http://www.numbeo.com)

IBGE, Pesquisa Mensal de Emprego Abril/2013


*Pesquisa, edição de dados e redação: Ricky Ribeiro, Henrique Rodrigues e Marcos de Sousa



Para ajudar a compreender o âmbito de proteção do direito de reunião pacífica, recomendo a leitura do livro abaixo, que é uma "Guidelines on Freedom of Peaceful Assembly". O texto está em inglês e foi escrito por uma importante organização de defesa da democracia e dos direitos humanos.

 

Fifa ameaça cancelar a Copa das Confederações

Vinícius Segalla *
Do UOL, em Belo Horizonte  21/06/2013   06h00
A Fifa deu um ultimato ao governo brasileiro: ou as autoridades nacionais garantem a segurança da Copa das Confederações, dos jogadores, comitivas e membros da imprensa internacional que estão no Brasil, ou irá cancelar a realização do evento.
O UOL Esporte apurou que a cúpula da entidade que controla o futebol mundial levou à presidente Dilma Rousseff o seguinte recado: se mais algum membro da Fifa, das seleções que participam da Copa das Confederações ou da imprensa internacional sofrer algum tipo de violência advinda dos protestos que tomaram conta do país, a Copa das Confederações será cancelada.
Oficialmente, a entidade e o Comitê Organizador Local negam qualquer tipo de reclamação ao Governo Brasileiro ou a possibilidade de suspensão da Copa das Confederações. A área de comunicação ligada à Presidência afirma desconhecer o assunto.
Também em virtude desta situação, a presidente da República marcou uma reunião ministerial de emergência para a manhã desta sexta-feira. Um dos objetivos do encontro é encontrar subsídios para convencer a Fifa de que é possível realizar os torneios mundiais no país em segurança.

Delegações já pedem cancelamento

Um dos motivos para que Fifa e Governo comecem a discutir medidas drásticas em relação aos eventos esportivos é o clima de insegurança que passou, a partir desta quinta-feira, a atingir as delegações que estão participando da Copa das Confederações. Os problemas mais graves ocorreram em Salvador.
Nas manifestações realizadas na capital baiana, após confrontos com a polícia nos arredores da Fonte Nova, o protesto migrou para a região do hotel onde membros da Fifa estão hospedados. Alguns manifestantes jogaram pedras sobre dois ônibus oficiais da entidade. Houve também uma tentativa de invasão ao hotel, contida pelo Batalhão de Choque.
A violência já causou uma mudança oficial de comportamento na Fifa. Desde a última quinta-feira, todos os membros da entidade devem ir e voltar juntos ao estádio, sempre com escolta da polícia, independentemente do horário de trabalho dos profissionais.
Além disso, Juca Kfouri, blogueiro do UOL, informou que uma das seleções já teria manifestado a intenção de deixar o Brasil, em razão da insegurança. Segundo ele, "uma delegação, que a Fifa não quer mencionar, mas cujos jogadores trouxeram famílias, está pressionando seu comando para ir embora. Eles dizem que não querem jogar futebol em uma praça de guerra". Essa seleção seria a Itália, ainda de acordo com Kfouri. Oficialmente, a delegação italiana nega a reclamação.

Órgãos de segurança já discutem como conter violência

Na última quinta-feira, a Abin (Agência Brasileira de Inteligência), o Exército Brasileiro e a Secretaria Extraordinária para Grandes Eventos (subordinada ao Ministério da Justiça) debateram o assunto em duas reuniões, em Brasília e Belo Horizonte.
Na capital mineira, a reunião aconteceu na Sala de Situação e Gerenciamento de Crises e Grandes Eventos, no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), que centraliza informações e operações de segurança durante a Copa das Confederações.
De acordo com o coronel Messeder, chefe de comunicação da 4ª Região do Exército Brasileiro, há 1.600 homens prontos para agir em Minas Gerais para garantir a segurança do Estado durante o evento. "Basta que o governador Antonio Anastasia solicite. Estamos prontos", diz o capitão.

Lei da Copa prevê Fifa indenizada pelo governo

Caso a medida extrema seja adotada e a Fifa, realmente, cancele o evento, a Lei Geral da Copa prevê que o Governo Brasileiro pague eventuais prejuízos da entidade. O capítulo V da Lei, sancionada em 2012, fala sobre o assunto.
O artigo 22 diz que "A União responderá pelos danos que causar, por ação ou omissão, à FIFA, seus representantes legais, empregados ou consultores". O artigo 23 fala que "A União assumirá os efeitos da responsabilidade civil perante a FIFA, seus representantes legais, empregados ou consultores por todo e qualquer dano resultante ou que tenha surgido em função de qualquer incidente ou acidente de segurança relacionado aos Eventos, exceto se e na medida em que a FIFA ou a vítima houver concorrido para a ocorrência do dano".
Além da agressão aos ônibus da delegação de Salvador, a entidade internacional já está lidando, há alguns dias, direta ou indiretamente, com problemas graves decorridos dos protestos. No Rio de Janeiro, a Fifa blindou o centro de distribuição de ingressos. Placas da Copa das Confederações foram destruídas no centro da cidade e, durante um evento paralelo aos jogos, na Avenida Presidente Vargas, tendas foram depredadas.
Patrocinadores da Copa também viraram alvo dos manifestantes. Em São Paulo, um painel da Coca-Cola, que ficava na Avenida Paulista, foi queimado durante um dos protestos. No Rio, a loja da marca ao lado do Maracanã foi fechada, com medo de depredação.
* Com colaboração de Daniel Tozzi, Ricardo Perrone e Rodrigo Mattos.
"O povo unido jamais será vencido!":

Depois desse programa, em jul/2009, o quadro "Meninas do Jô" foi retirado do ar:...
Posted by Padilla Luiz Roberto Nuñes Padilla on Quarta, 21 de setembro de 2011

                 Em 1.879, o Brasil viveu fato inédito com a vitória do vintém, ocasião em que o imperador D. Pedro II, revogou a ordem de aumento das passagens de ônibus, ante a revolta popular.

                 Em 19 de junho de 2013, o Brasil do séc. XXI também assistiu algo inédito ao ouvir, pelas diversas mídias, os governantes informarem que os VINTE CENTAVOS condizentes ao aumento das passagens dos transportes urbanos estavam revogados. Claro que não perderam a pose! Combinaram em passar um pito no povo avisando que estavam respeitando o querer popular, mas que haveria consequência, qual seja, disponibilizariam menos recursos para as obras de infraestrutura. Justificaram a imposição feita ao povo nos contratos firmados com as empresas concessionárias, onde estariam previstos esses aumentos periódicos. Trocando em miúdos, tentaram sair pela legalidade.

                 Maravilha que os "burros" desceram do ônibus! A população - sofrida faz muito - entendeu que o palácio NÃO sobrevive sem a praça. Os gestores do amanhã certamente não acreditaram nos discursos. Ora, se de um lado os contratos previram aumentos periódicos, de outro também há a obrigação dos empresários, qual seja a de prestar um serviço de QUALIDADE. A conclusão salta aos olhos. Se o serviço está aquém do que determina a Carta Cidadã, então o contrato está quebrado/rescindido! Interessante é que somente o povo/administração tem obrigações a cumprir; já os contratados estão numa terra sem lei! O povo NÃO é "burro"! Daí temos que lembrar os gastos absurdos com os eventos esportivos. Nem o parco dinheiro para pagar os péssimos transportes públicos para chegar aos novos e ferrados estádios querem nos deixar! Ah; para com isso!

                 Repudiei, desde o anúncio do atual gestor da RJ, a sua intenção de DEMOLIÇÃO do elevado da PERIMETRAL. Sob qual pretexto? Pasmem! Por ter aspecto desagradável. Por ferir a vista, melhor explicando, a estética! E o povo não percebeu o nosso suado dinheirinho indo ralo abaixo! É agora, no segundo mandato, vem o mesmo administrador passar pito na população que o elegeu e ameaçar/aterrorizar quanto ao parco futuro das obras de infraestrutura?! Faça-me o favor!

                 Pois é, tivesse o administrador mais SENSIBILIDADE, ao invés de delirar com o desmonte de bem que atende a população, teria pensado em deixar todo o entorno da PERIMETRAL ACESSÍVEL e a baixo custo.

                 Fico focada na educação. As escolas nem giz possuem! Os professores usam canetas compradas com o mísero "vencimento". A desculpa? Falta de verba. Mas para a demolição da PERIMETRAL, apenas por ser feia, HÁ VERBA! Ratifico que o pior cego é o que não quer ver.

                 Veio-me a mente o conto de Hans Christian Andersen, A ROUPA NOVA DO IMPERADOR. Será que só enxergamos o que os gestores ORDENAM? Estaríamos todos com os cérebros anestesiados? Tolos? Bobos da corte?

                 No contraponto Abraham Lincoln afirma: "Ninguém é suficientemente competente para governar outra pessoa sem o seu consentimento". Maravilha perceber que estamos voltando do coma em que estávamos mergulhados desde 1.879! Na verdade somos omissos na política. Gostamos de discutir as questões que nos afligem em mesas de bar. Entre um e outro pensamento dizemos: GARÇOM! MAIS UM CHOPE. E o papo rola. Lá pelas tantas dizemos: GARÇOM! A SAIDEIRA E A CONTA. Acordamos com o despertador para mais um dia de trabalho.

                 A história se repetiu quanto a lastimável violência de grupos isolados. Em 1.879, por vontade de poucos, a massa também foi incitada à violência e atos de vandalismo. Conta-se que os manifestantes moveram-se pelas ruas do centro dirigindo-se ao Largo de São Francisco, onde existiam muitos pontos finais de várias linhas de bonde. O delegado que comandava as tropas da polícia pediu reforços ao Exército, mas, antes que a ajuda chegasse, ordenou à polícia que dispersasse a multidão a cacetadas. A um grito de "FORA O VINTÉM", os manifestantes começaram a espancar condutores, esfaquear mulas, virar bondes e arrancar trilhos ao longo da rua Uruguaiana. Dois pelotões do Exército ocuparam o Largo de S. Francisco, postando-se parte da tropa em frente à Escola Politécnica, atual prédio do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ. O povo que tinha repúdio a polícia terminou aplaudindo a tropa. No entretanto, o grupo da violência e vandalismo, passou a arrancar paralelepípedos e atirá-los contra os soldados. O oficial descontrolou-se e ordenou fogo contra a multidão. As estatísticas de mortos e feridos são imprecisas. Falou-se em 15 a 20 feridos e em três a dez mortos.

                 Em 20 de junho de 2013, a história ainda não tem essa triste contabilidade. Certo é que, por pura irresponsabilidade nos outubros eleitorais, a população insistiu em colocar no poder pessoas que já tinham currículo político ruim. Os representantes populares que estão aí foram postos pelo povo que, às duras penas, passa a compreender a magnitude do voto. Infelizmente temos que cair da escada para aprender a ter mais atenção no primeiro degrau!

                 Bacana ter sobrevivido para sentir o sabor da VITÓRIA DOS VINTE CENTAVOS! Enxergamos o caminho que é bem longo. Só estamos no começo!

                 De minha parte emoção dupla. A uma por ser brasileira e participar da manutenção da democracia. A duas por ser acessibilista e constatar que o povo está começando a praticar a ACESSIBILIDADE ATITUDINAL!

                 PARABÉNS BRASIL! Viva a Pátria querida; salve salve!!!

Carinhosamente.

DEBORAH PRATES
 
Posted: 20 Jun 2013 09:08 AM PDT
Os "sociólogos" da grande mídia, os "empresários morais", reclamavam da apatia do povo, que o brasileiro tinha memória curta e que não tinha qualquer capacidade de indignação.
Quando este mesmo "povo" se indignou e foi para as ruas, os chamaram de vândalos e antipatriotas.
Os "empresários morais" desejavam protestos "bem higiênicos", com pautas reivindicatórias assépticas (bem definidas dentro das suas expectativas), e com "líderes" que pudessem ser identificados e rapidamente cooptados como os novos representantes da nação.
É por isso que não conseguem interpretar o que está acontecendo. Seus recursos teóricos não conseguem captar pautas reivindicatórias que estejam fora do seu horizonte de controle.


A VITÓRIA DOS VINTE CENTAVOS


FELIPE BÄCHTOLD
DE PORTO ALEGRE
O protesto que se estendeu pela noite desta quinta-feira (20) em Porto Alegre novamente terminou em depredação e em confronto entre policiais e manifestantes.
A passeata começou no início da noite e percorreu de maneira pacífica ruas do centro da capital gaúcha. No entanto, por volta das 20h, a Brigada Militar (a PM gaúcha) tentou impedir os manifestantes de passar pela frente da sede do jornal "Zero Hora".
Bombas de gás lacrimogêneo foram jogadas contra a linha de frente da manifestação, o que precipitou um violento tumulto. A mesma situação já havia ocorrido na última segunda-feira (17), quando o protesto deixou um saldo de dezenas de presos e de depredações pela cidade.
Hoje, revoltados com a atuação da Brigada, parte dos manifestantes começou depredações em série pela região do bairro da Azenha. Uma agência do Itaú foi apedrejada e teve um princípio de incêndio. Pelo menos uma loja de autopeças e uma papelaria foram saqueadas.
Decididos a resistir à ação de dispersão da Brigada, os manifestantes se concentraram na avenida João Pessoa, a mesma onde ocorreu o principal conflito do início da semana.
Um shopping da via teve vidraças estilhaçadas e foi pichado. Uma agência do Banrisul (Banco do Estado do Rio Grande do Sul) atacada na segunda-feira foi novamente depredada hoje. Terminais de autoatendimento ficaram completamente destruídos. Contêineres de lixo e semáforos também foram danificados.
Após o recuo, os manifestantes voltaram a se aglomerar no centro, em frente à prefeitura, onde havia ocorrido a concentração para o ato. No caminho, houve novas ações de vândalos. Pelo menos duas agências bancárias e duas lojas foram atacadas.
No fim da noite, os confrontos entre a cavalaria da Brigada e os manifestantes próximos à prefeitura continuavam. Os participantes do protesto jogam pedras nos policiais, que respondem com bombas de gás lacrimogêneo.
A Tropa de Choque cercou os acessos à praça da Matriz, onde ficam as sedes dos três Poderes do Estado.
Entre os principais alvos de críticas dos manifestantes no início pacífico da passeata estavam o projeto de "cura gay" e o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP).
Mesmo sob forte chuva e um frio de 12ºC, milhares de pessoas compareceram ao ato. Antes do tumulto, a maioria dos participantes fazia coro por paz. Também criticavam partidos políticos.
Devido às ações violentas de segunda-feira, os porto-alegrenses mudaram suas rotinas e se prepararam para o protesto desta quinta.
Órgãos públicos e o comércio encerraram o expediente mais cedo para evitar a passeata. No bairro boêmio da Cidade Baixa, que teve estabelecimentos atacados no início da semana, a maioria dos bares e restaurantes não abriu as portas.
Alguns estabelecimentos da cidade montaram uma espécie de guarda conjunta para vigiar propriedades e evitar depredações e saques.

PELO PAÍS

As manifestações realizadas nesta quinta-feira levaram cerca de 1 milhão de pessoas às ruas em 25 capitais do país. Em ao menos 13 delas foram registrados confrontos. O Rio de Janeiro foi a capital com maior número de pessoas, 300.000.
Em nove das capitais com confronto, houve também ataques ou tentativas de destruição de prédios públicos, como sedes de prefeituras e de governo e prédios da Assembleia Legislativa e do Tribunal de Justiça.
Os protestos contra o aumento das tarifas do transporte público começaram no início do mês e foram ganhando força em todo o país, sendo registrados vários casos de confrontos e vandalismo. Com isso, 14 capitais e diversas outras cidades anunciaram entre ontem e hoje a redução das passagens.
Em Brasília, um grupo de manifestantes forçou a barreira policial montada na entrada do Congresso Nacional, iniciando um confronto com a Polícia Militar, que revidou com bombas de gás lacrimogêneo.
No Rio, o protesto ficou tenso no início da noite. O problema ocorreu com chegada dos manifestantes em frente à prefeitura, no centro da cidade, ponto final da passeata.
Por volta das 18h50, morteiros foram disparados pelos manifestantes. Em resposta, a polícia disparou bombas de efeito moral. A cavalaria da PM avançou para dispersar pessoas que tentavam invadir a sede da administração municipal.
Em Natal (RN), cerca de 400 pessoas entraram no Centro Administrativo do Estado, que reúne os principais órgãos públicos. Houve concentração de manifestantes em frente à Governadoria.
Um grupo menor, de rostos tapados, queimou objetos, formando uma fogueira na frente da rampa de acesso ao prédio. Também arrancaram placas de sinalização e começaram a jogar algumas na fogueira.
Bombas e pedras foram atiradas contra os policiais. A polícia revidou com balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo. Houve prisões.
Manifestantes tentaram invadir, em Fortaleza (CE), o Palácio da Abolição, sede do governo do Ceará, e depredaram o prédio. O local virou uma praça de guerra entre vândalos e Polícia Militar, com balas de borracha de um lado e coquetéis molotov de outro. Ao menos 30 pessoas foram presas, segundo a PM.
Também foram registradas situações de confrontos e depredações em Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), Salvador (BA), Vitória (ES), Belém (PA), João Pessoa (PB), Manaus (AM), Teresina (PI) e Macapá (AP).
Após as manifestação, a presidente Dilma Rousseff (PT) decidiu convocar uma reunião de emergência para as 9h30 de amanhã com seus principais ministros para discutir os efeitos das manifestações por todo o Brasil.
Na reunião, Dilma irá avaliar relatos da extensão dos atos nas cidades brasileiras. A partir daí será decidida uma conduta de governo, como por exemplo medidas ao alcance do Ministério da Justiça ou até um pronunciamento oficial da presidente.



Brigada Militar usa bombas de efeito moral para proibir que grupo avance na avenida

Manifestantes entram em confronto com a polícia na Av. Ipiranga

by Gilberto Simon
Um primeiro confronto entre manifestantes e a polícia ocorreu em Porto Alegre na avenida Ipiranga, por volta das 20h. A confusão iniciou quando o grupo de protesto chegou perto do cruzamento da avenida com a Erico Veríssimo. A tropa de choque da Brigada Militar (BM) fez um cordão de isolamento no local para proibir o avanço dos ativistas.
Alguns integrantes do movimento jogaram pedras e garrafas contra a corporação, que reagiram usando bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo. A correria começou na avenida Ipiranga a partir deste momento. A via está tomada nos dois sentidos pelo grupo.
A tropa de choque tenta com dificuldade dispersar a multidão. Parte das pessoas recua do local, mas alguns integrantes pedem para o grupo permanecer. Muitos manifestantes gritam "sem violência". O clima é tenso e a situação parece estar longe de ser controlada. Dois helicópteros sobrevoam a região.
A manifestação, marcada para as 18h desta quinta-feira, já reunia muitas pessoas no final da tarde no Centro de Porto Alegre. Após deixar o Paço Municipal, dois grupos se formaram no protesto: um tomou a avenida Julio de Castilhos, próximo ao prédio da Federasul e ao Mercado Público, enquanto outro partiu em direção à Esquina Democrática.
Centenas de pessoas mostravam sua indignação ao levantar cartazes sobre vários temas, desde o custo da passagem até a corrupção no País. Pelé também é um dos alvos dos manifestantes. Recentemente, o Rei do futebol pediu para os brasileiros esquecerem os protestos e apoiarem a Seleção na Copa das Confederações.
Com informações do repórter Tiago Medina

Protesto altera prestação de serviços e expediente em órgãos públicos

by Gilberto Simon

Sindilojas de Porto Alegre orientou comércio do Centro a fechar as portas às 17h

A manifestação popular marcada para às 18h desta quinta-feira vai alterar a prestação de serviços na área central de Porto Alegre e o expediente em órgãos públicos da Capital. Lojas e estabelecimentos comerciais do Centro Histórico devem fechar as portas mais cedo e algumas linhas de ônibus que atendem à região Metropolitana terão a circulação suspensa por algumas horas.
O motivo são as depredações ocorridas no ato público realizado na segunda-feira. A orientação do Sindicato dos Lojistas (Sindilojas) da Capital é encerrar as atividades do comércio às 17h. O Sindilojas ressalta que as manifestações pacíficas são legítimas e que o fechamento das lojas é opcional.

Fim do expediente é antecipado

Alguns órgãos públicos determinaram a antecipação do fim do expediente nesta quinta-feira também em razão do protesto. Por ordem do prefeito José Fortunati, os servidores públicos municipais estarão dispensados a partir das 17h. A Secretaria de Saúde, informou que o Centro de Saúde Modelo, na avenida Jerônimo de Ornelas, bairro Santana, e o Centro de saúde Santa Marta, na rua Capitão Montanha, Centro Histórico, fecham às 16h30min.
A Assembleia Legislativa do Estado informou que os funcionários serão dispensados às 16h. Com isso, um evento que ocorreria no Teatro Dante Barone foi adiado para uma data ainda a ser confirmada. Já a Assessoria de Comunicação do Palácio Piratini afirmou pela manhã que não haverá mudança no horário do expediente no governo do Estado.
Por determinação do presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJRS), desembargador Marcelo Bandeira Pereira, o expediente do TJ, além do Palácio da Justiça, também será encerrado mais cedo, às 16h. Apenas as sessões de julgamento marcadas para esse dia ocorrerão normalmente. Estão suspensos ainda os prazos processuais e administrativos que tiverem como limite a data de hoje. Na sexta-feira, o horário de atendimento estará normalizado, das 9h às 18h, ininterruptamente.
O expediente nos serviços notariais e de registros da Comarca da Capital será encerrado também às 16h. Mas por determinação do juiz diretor do Foro Central de Porto Alegre, Cláudio Luís Martinewski, haverá plantão do registro civil das pessoas naturais. A realização de atos que já estavam previstos ficará a critério de cada unidade.
O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria e Construção Civil) receberia a Comenda Porto do Sol, na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, mas devido à manifestação o evento foi cancelado.
A Receita Federal (RF) informou que não haverá atendimento em suas unidades em Porto Alegre após as 16h. Os contribuintes que possuíam horário agendado para atendimento estão sendo informados que não haverá expediente. Para novo agendamento, o contribuinte deve acessar a página do órgão na Internet em Encontro/agendamento. No caso de urgência, deve procurar, presencialmente, a unidade da RF. O prédio do Ministério da Fazenda em Porto Alegre, onde fica a Receita Federal, estará fechado.

Empresas de ônibus da região Metropolitana suspendem serviço

As empresas de ônibus que prestam serviços a passageiros que moram na região Metropolitana de Porto Alegre dividem-se quanto à manutenção dos serviços aos usuários durante o protesto. A Empresa de Transportes Viamão paralisa as atividades às 15h e prevê retomada da circulação somente no final da manifestação. Já a Expresso Veraneio, que atende Viamão, também suspenderá o serviço durante o ato em Porto Alegre.
As demais empresas que atendem as regiões de Cachoeirinha, Vale do Sinos, Guaíba e Gravataí trabalharão normalmente, cumprindo a tabela tradicional de horários. A Empresa Sogil, de Gravataí, avaliará durante o evento se mantém a prestação do serviço. A Trensurb funcionará normalmente.
A nova manifestação em Porto Alegre marcada para esta quinta-feira foi agendada pelo Facebook e já tem mais de 36,5 mil pessoas confirmadas. O protesto #VempraRua #VempraLuta ocorre a partir das 18h, com concentração em frente à Prefeitura da Capital.
Secretário da Smic libera funcionários às 16h. Fonte: Secretário Smic, direto.
Gilberto Simon | 20/06/2013 às 13:03 | Tags: manifestações, protestos | Categorias: Manifestações | URL: http://wp.me/pl9z0-cKH

Protesto reúne milhares em Porto Alegre

by Gilberto Simon

Manifestantes marcham pelo centro de Porto Alegre

Pelé é um dos alvos do protesto por ter pedido para brasileiros esquecerem os atos
Milhares se reunem em frente a Prefeitura de Porto Alegre  Crédito: Mauro Schaefer
Milhares se reunem em frente a Prefeitura de Porto Alegre Crédito: Mauro Schaefer
A manifestação marcada para as 18h desta quinta-feira, no Centro de Porto Alegre, já reúne cerca de 5 mil pessoas. Um grupo tomou a avenida Julio de Castilhos, próximo ao prédio da Federasul e ao Mercado Público, enquanto outro se concentra na Esquina Democrática. O protesto é pacífico e não há registro de brigas entre policiais e manifestantes.
Centenas de pessoas mostravam sua indignação ao levantar cartazes sobre vários temas, desde o custo da passagem até a corrupção no País. Pelé também é um dos alvos dos manifestantes. Recentemente, o Rei do futebol pediu para os brasileiros esquecerem os protestos e apoiarem a Seleção na Copa das Confederações.
Por volta das 18h30min, a maioria seguiu em direção à avenida Salgado Filho. O movimento teve um momento de indefinição na João Pessoa, com a República, em relação ao percurso que iria seguir. Naquele momento, em torno das 19h30min, aboa parte começou a gritar "sem vandalismo". Ao longo da avenida, fogos de artifício foram disparados na região da Cidade Baixa em apoio ao grupo. Papel picado também foi jogado pelas janelas.
Na Julio de Castilhos, cerca de 20 policiais a cavalo acompanham a caminhada. Muitas pessoas estão sobre do arco de concreto da estação da Trensurb. Pelo menos 50 homens do Batalhão de Choque da Brigada Militar estão reunidos na esquina da Rua dos Andradas com a Uruguai aguardando o direcionamento do protesto para acompanhar os manifestantes.
A Praça da Matriz foi cercada e as ruas que dão acesso ao Centro da cidade foi bloqueada. Não há congestionamento nem manifestantes no local. Homens da Brigada Militar fazem a segurança do local e um helicóptero que sobrevoa o local.
Além de ser contra os gastos para as obras da Copa no Mundo do Brasil e pedir a redução da passagem em Porto Alegre, a manifestação reúne diversas reivindicações, como segurança, educação e saúde. O polêmico projeto que autoriza o tratamento psicológico para alterar a orientação sexual de homossexuais, chamado de "cura gay", aprovada pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, também é alvo da manifestação.
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Algumas fotos do Facebook:

manifestacao-poa-20-06-2013-01
manifestacao-poa-20-06-2013-02
manifestacao-poa-20-06-2013-03
manifestacao-poa-20-06-2013-04


Gilberto Simon | 20/06/2013 às 20:17 | Tags: manifestação, protestos | Categorias: Manifestações | URL: http://wp.me/pl9z0-cKP

NAS PRIMEIRAS FILAS...O QUE EU VÍ ONTEM À NOITE EM PORTO ALEGRE!

Faço meu relato à partir do encontro dos 2 grupos de manifestantes, que haviam saído da frente da Prefeitura por caminhos diversos, na Av. João Pessoa. Parte dos manifestantes conseguiu fazer valer sua disposição em seguir pela João Pessoa em direção à Av. Ipiranga. Posicionei-me logo atrás da primeira fila dos manifestantes. Não mais do que 5 metros dos que caminhavam à frente. Queria ver como se "movimentavam as forças" durante a caminhada.
Alguém puxou como palavra de ordem um "fora Fortunatti", seguido por poucos, que imediatamente foram vaiados. Um "fora Dilma" foi pelo mesmo caminho. Manifestações contra figuras políticas não eram toleradas pela massa. Até então, o que mais se ouvia era o "sem violência". Um rapaz tentou colocar fogo numa faixa estendida na parte superior de uma loja indicando seus produtos à venda. Foi impedido por parte dos integrantes da marcha. Outros depredadores foram contidos ao longo do trajeto até o cruzamento com a Av. Ipiranga. Toda vez que alguém tentava causar dano às paradas de ônibus, os manifestantes que estavam mais próximos se abaixavam com o intuito de expor os destruidores, acompanhando com o "sem violência". Também ouve rechaço aos gritos de "RBS tua hora vai chegar".
Na primeira fila, carregando uma faixa, um grupo de meninas em sua maioria. Logo atrás, predominavam os manifestantes, por assim dizer, avulsos. Eram poucos os "condutores" da marcha. Aos poucos essa situação foi se alterando. Deu para observar a transição. Grupos de 6 a 8 integrantes cada avançavam por entre a multidão, alguns com o "com licença" outros nem tanto, passando a ocupar as primeiras fileiras. Quanto maior a aproximação da Av. Ipiranga, maior a substituição dos que iniciaram a manifestação nas fileiras da frente. Essas pessoas que avançavam em meio à multidão, em geral, não usavam máscaras. Tinham seus rostos cobertos por algum tipo de pano, lenço ou camiseta.
No cruzamento da João Pessoa com a Av. Venâncio Aires, uma parte dos manifestantes tentou conduzir os demais indicando um desvio para a Venâncio Aires, claramente no intuito de evitar o confronto com a polícia, que, todos sabiam, havia se posicionado na Ipiranga, na frente da RBS. Obviamente que quem está distante não percebeu tudo isso. Alguns manifestantes, poucos, enveredaram pela Venâncio Aires. A marcha seguiu pela João Pessoa até o cruzamento com a Av. Ipiranga. Novamente, no intuito de evitar o confronto com a polícia, alguns "pacifistas" tentaram indicar o caminho da Av. Azenha. Percebendo isso, foi formada uma barreira humana ao longo de todo o cruzamento, por aqueles simpatizantes do "enfrentamento". Os pacifistas, então, passaram a indicar o caminho de volta pela João Pessoa. Tudo isso contribuiu para uma certa dispersão. Muitos abandonaram a caminhada nesse ponto. Nessa altura, já está totalmente renovada a "linha de frente" dos manifestantes.
Entramos na Ipiranga e, a maior parte, ingressa na Lima e Silva. Parei na calçada da Lima e Silva, próximo à esquina com a Ipiranga, para poder observar a movimentação dos 2 grupos. Os gritos de "sem violência" ainda podem ser ouvidos, mas, não pelo grupo que está frente a frente com a polícia na Ipiranga. Uma menina cai próxima a mim, ferida na perna. Meia dúzia de pessoas a socorre. Um rapaz alça a garota e a transporta. O batalhão de choque da polícia avança pela rua lateral, vai encurralar os manifestantes na Ipiranga. Quem já estava na Lima e Silva consegue se afastar do local. A batalha começa.

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Faculdade de Direito e demais unidades da UFRGS fechadas a partir das 16 h de 20/6/2013, quinta-feira, conforme decisão tomada pelas Direções em vista das dificuldades de locomoção previstas...

A 'BOA-EDUCAÇÃO' DO 'POVO BRASILEIRO'

Nos Jogos Pan-americanos de 2007, um dos poucos eventos internacionais que o
Brasil sediou ultimamente, o presidente Lula foi vergonhosamente vaiado
enquanto fazia um breve discurso de abertura... Agora (15/06/13) na abertura
da Copa das Confederações a presidente Dilma também foi vaiada... Que belo
exemplo de 'boa-educação' que estamos dando para o mundo. Eu nunca vi em
nenhum evento internacional uma autoridade ser vaiada. As outras nações
precisam aprender com a anarquia e o desrespeito que o 'povo brasileiro' tem
por suas instituições. Não é a Dilma (ou o Lula, ou o FHC, ou o Sarney, ...)
que estes estúpidos ignorantes estão vaiando, é a figura do presidente do
Brasil; é a nossa democracia que está sendo vaiada; são as nossas
instituições que estão sendo desprezadas e desrespeitadas - até o presidente
da FIFA, que não tem nada a ver com isso, percebeu a má-educação do povo
brasileiro e pediu um pouco de respeito...

Diz um velho ditado que "roupa suja se lava em casa". O mundo não tem nada
que saber que o 'povo brasileiro' - pelo menos os estúpidos mal-educados -
não respeitam suas autoridades - que muitas vezes não merecem respeito,
mesmo, e até merecem uma vaia; mas não na frente das visitas; não na frente
do mundo...

A mídia, que muitas vezes parece não ter noção das coisas, acha que é
perfeitamente normal; que faz parte da 'democracia' desrespeitar autoridades
em momentos completamente inoportunos. Assim como foram inoportunas as
manifestações contra a Copa do Mundo - como se agora o país fosse desistir
de um evento destes por causa de uma meia-dúzia de 'descontentes' que, na
verdade só querem mesmo é aparecer...

Mas quem sou eu para falar disso. Quem é que me escuta?
Quando eu falo das anarquias das greves e manifestações de rua; quando eu
aponto soluções para todos estes problemas; quem é que me escuta?

Se eu quisesse juntar gente para pichar monumentos, depredar lojas ou atirar
pedras na polícia, certamente apareceriam milhares de imbecis para me
seguir. Mas quando eu peço apoio para projetos que podem realmente melhorar
as coisas, aí quase ninguém se importa; ninguém publica; ninguém repassa;
ninguém apoia... Já faz mais de uma década que eu tenho soluções para a
grande maioria dos problemas da nossa sociedade; e muitos até já apoiaram as
minhas propostas - mas ninguém que realmente possa fazer a diferença:
ninguém da grande mídia; nenhuma grande autoridade ou personalidade...

Não vou perder o meu tempo com discussões inúteis para saber se a Copa é ou
não é boa para o Brasil - eu, pessoalmente, acho que é ótima (e olha que eu
não gosto de futebol, nem do governo, mas gosto do meu país!!!). Acho também
que este tipo de discussão deveria ser feita em tempo oportuno, quando se
poderia optar em fazer, ou não, um campeonato mundial, e não depois de estar
quase tudo pronto!!!

E depois a torcida ainda canta "sou brasileiro, com muito orgulho...".

Quem é que tem coragem para dar a real para esta gente estúpida! Quem é que
vai vaiar os que não respeitam as instituições (se não estão de acordo,
façam como eu: apresentem sugestões); quem é que vai vaiar os que não querem
ver o Brasil progredir; os oportunistas que querem ver o Brasil quebrar para
que eles possam tomar conta, depois... ESTA É A PODRIDÃO DA POLÍTICA!!! É
esta podridão que eu tento combater há décadas. Mas, quem se importa em
fazer algo melhor? Enquanto alguns tentam melhorar as coisas, outros dão a
sua 'grande contribuição' com vaias, pichações e pedradas. Mas são estes
últimos, estúpidos, que a mídia escuta. Quê mais eu posso fazer? Virar
baderneiro?

Mais uma coisinha, para finalizar: estes mesmos estúpidos que vaiaram não se
deram conta (porque não tem cérebro pra isso) que eles só estão dentro de um
estádio de boa qualidade e assistindo a uma competição internacional
justamente por causa das mesma autoridades que eles estão vaiando. Nem mesmo
os cães são tão estúpidos para morder a mão de quem os alimenta, mas o
povinho brasileiro (aqueles cheios de dinheiro no bolso e que podem pagar
caro para estar dentro de um estádio) estes são um 'modelo de estupidez';
que se acham no direito de vaiar quem se empenhou para realizar tal evento.
É mesmo de dar pena, tamanha estupidez!!!

Mas existem culpados diretos pela estupidez do povinho: são os coniventes
com a má-educação; são os representantes da grande mídia que podem e não
criticam. Para eles é perfeitamente legítimo o povinho vaiar, quebrar
vidraças, queimar pneus, trancar o trânsito, e outras formas de anarquia,
para 'protestar contra o governo'. Apresentar alguma proposta ou fazer uma
crítica inteligente... não, isso não dá notícia. Precisamos é de gente
estúpida para dar notícias...

Alguns jornalistas tentaram 'justificar' citando Nelson Rodrigues, que teria
escrito que "brasileiro vaia até minuto de silêncio". Ou seja: somos assim
mesmo: mal-educados e estúpidos por natureza. E NINGUÉM FAZ NADA PARA MUDAR
ISSO!!!

Imagino o que os japoneses ficaram pensando do povinho brasileiro: "QUE PAÍS
É ESSE que as pessoas não respeitam nem as autoridades. Será que eu vou
conseguir sair vivo daqui?"

Esta é mais uma das vezes que eu tenho vergonha de ser brasileiro!!!

PS: Imagine se o quebra-quebra dá certo. Descobrimos uma fórmula muito
eficiente de baixar o preço das passagens de ônibus: trancamos ruas,
quebramos ônibus, ... que tudo se resolve. Sem dúvida, esta deve ser a
'melhor' forma de 'mudar as coisas' - pelo menos para os estúpidos!

Algumas curiosidades sobre a minha participação em movimentos sociais: eu
cheguei a participar do movimento estudantil, enquanto estava na
Universidade Federal de Santa Maria, e, dentro deste movimento, cheguei a
participar de uma manifestação pela melhoria da qualidade do estudo - mas
fui mais pela 'festa' do que por acreditar que este tipo de movimento fosse
mudar alguma coisa. Também participei da Marcha pela Vida na Terra, no Rio
de Janeiro, durante a ECO-92, e de algumas marchas do Fórum Social Mundial,
em Porto Alegre.

Não sou contra este tipo de movimento, mas nunca o vi como uma forma
realmente eficiente para mudar as coisas - além de saber que de um movimento
pacífico, para uma anarquia generalizada, basta um passo em falso...


MAIS PÃO, MENOS CIRCO?

Isso é o que muitos intelectualóides, opositores e outros, com visão curta,
pregam e defendem em suas passeatas de protesto. O Brasil não precisa de
Copa, precisa de menos impostos, de mais Saúde e Educação.

Em princípio, parece ser uma boa pedida, mas não é. Não estamos pagando nada
a mais em impostos, por causa da Copa, ao contrário: as tarifas da energia
baixaram, os impostos sobre eletrodomésticos e alimentos, baixaram... - eu
nunca vi disso em toda a história da política brasileira! A Saúde e a
Educação continuam tão ruins como sempre foram - talvez até tenham dado uma
melhorada... Ou seja: a Copa não trouxe quase nada de ruim para o Brasil e,
com certeza, trouxe muita coisa boa...

Mas os intelectualóides não querem 'circo'; não querem diversão, não querem
esporte nem lazer; na mesma linha: também não podem querer cultura: música,
teatro, cinema, poesia, literatura... é tudo 'circo'. País pobre e
miserável - que é o que eles querem que o Brasil seja eternamente - tem que
se contentar com migalhas (pão e nada mais).

E quem é que dá ouvido a estes imbecis? Outros imbecis - claro! Coitado de
nós, que temos alguma inteligência...


OS ESTÚPIDOS SÃO MOVIDOS POR ÓDIOS E PAIXÕES

Enquanto as pessoas inteligentes conseguem analisar as coisas e perceber o
que é certo e o que é errado, os estúpidos simplesmente adoram ou odeiam. Os
estúpidos se apegam facilmente a uma ideologia política ou a uma religião e
não conseguem perceber o quanto este tipo de alienação lhes cega; não
conseguem perceber que tanto religiões como ideologias tem o seu lado podre,
assim como têm o seu lado bom. Por isso a necessidade de que usemos o nosso
senso crítico, sempre.

Estava eu assistindo ao filme "As últimas horas de Hitler" e pude perceber a
adoração que os alemães tinham pelo seu Führer (líder) e o ódio que tinham
pelos judeus. Tanto a adoração como o ódio foram plantados no coração dos
alemães, e foram facilmente assimilados pela maioria - os poucos que ousavam
ser críticos eram tachados de 'traidores'; e eram presos ou executados. Foi
assim que o mundo mergulhou na maior tragédia da história da humanidade -
com mais de 50 milhões de mortos e grande parte do mundo destruído por uma
guerra estúpida (como são estúpidas todas as guerras).

Mas, mesmo depois de tantas tragédias, o mundo ainda não se livrou da
estupidez causada pela alienação. Ainda hoje temos muita gente que ama, ou
odeia (não tem meio termo), certos partidos políticos, personalidades,
ídolos, mitos, etc. Para identificá-los, basta prestar atenção naqueles que
fazem de tudo para derrubar o governo; estes estão sempre repassando
mensagens de ódio a determinados políticos ou partidos; vaiam a figura do
presidente da república em eventos internacionais... Eles não sabem fazer
uma crítica construtiva; eles não querem um país melhor; eles só querem
destruir os objetos do seu ódio - mesmo que para isso tenham que destruir o
seu próprio país.

O ódio, muito mais do que as paixões, é a grande motivação dos estúpidos.
Eles alimentam seus preconceitos contra pessoas, raças, religiões, e vivem
para destruir seus 'inimigos' imaginários. Os massacres ocorridos na década
de 90 em Sarajevo, Somália e Ruanda, demonstram como é fácil odiar e como
são hediondos os resultados do ódio...

Mesmo com todo avanço tecnológico do nosso tempo, e com o avanço da nossa
sociedade, em relação aos preconceitos e discriminações, sempre é bom fazer
este tipo de reflexão; para que possamos entender o ódio alheio e o nosso
próprio ódio; pois só assim poderemos continuar a evoluir em direção a uma
sociedade cada vez melhor.


A MODA AGORA É PROTESTAR!!!

Já que a moda agora é protestar (para aparecer na TV) eu também resolvi
chamar a minha tchurma pra gente fazer um protestozinho básico. Juntamos 500
mil pessoas e fechamos o aeroporto de São Sepé. A idéia inicial era
protestar contra a dor-de-barriga, mas teve gente que protestou também
contra a dor-de-cotovelo e até contra o cancro mole... Ninguém agüenta mais
essas nossas dores disso e daquilo!

O movimento engrossou quando ativistas pediram a volta do seu Creisson no
horário nobre da propaganda política.

Alguns gritavam: fora Grillo! fora Grillo Falante! - tinha até alto-falante
na passeata...
Enquanto isso, um elefante branco posava para fotos.

Enrolados em bandeiras (do Grêmio e do Inter), o povo brasileiro cantou,
mais uma vez, o Hino do Paraguai - só pra protestar.

O MSV - O Movimento dos Sem Vergonha - chegou dizendo palavras de ordem:
O povo - unido - é trânsito entupido!
O ovo - frito - jamais será cozido!
O povo - na rua - tranca até a sua!

1, 2, 3 - 4, 5, 6, - 7, 8, 9, para 12 faltam 3!

Fora já! - fora já daqui! - fora Big Brother e o FMI!!!

Era para ser um protesto Pacífico, mas aí chegou o pessoal do Atlântico e
começaram a jogar água em todo mundo. Assim não tem tsunami que agüente! -
gritou um peixe-pequeno.

Mas aqui em São Sepé é assim mesmo: quando dá protesto de rua - uma vez por
década - até jacaré nada de costas, e de olho fechado, pra não vê o estrago.

Felizmente, chegou um guaipeca sarnento e botou todo mundo pra correr. Uns
escaparam com as caças na mão e outros sem os fundilhos...

Mas o que importa é que "amanhã vai ser outro dia" - e alguém vai ter que
limpar a sujeira (pra debaixo do tapete - como sempre).

Este é o meu Brasil varonil! Brasil-iu-iu-iu-iu...

Celso Afonso Brum Sagastume
Autor dos livros:
- A busca da Felicidade através das Relações Humanas (esgotado)
- Utopia Real - "Um Outro Mundo é Possível" (esgotado)
- Como Realizar Sonhos e Desejos (esgotado)
- Reflexões sobre a Vida (R$ 15,00)
- Vencendo a Morte - Uma análise filosófica (R$ 20,00)
Para saber mais, faça uma busca na internet, ou entre em contato...

E-mail: celsoabs@plugnet.psi.br
Fone: (+55) 3233-3315
http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=18101603242916782045
http://sociedadedospoetasamigos.blogspot.com/2012/01/celso-afonso-brum-sagastume-escritor.html

Prédios públicos, lojas e bancos foram atacados durante protestos em Porto Alegre

Depredações ocorreram no final de protesto em Porto Alegre Crédito: Vinícius Roratto
Depredações ocorreram no final de protesto em Porto Alegre Crédito: Vinícius Roratto
A cúpula da Segurança Pública do Rio Grande do Sul disse, em entrevista coletiva nesta sexta-feira, que identificou supostos alvos dos vândalos que têm danificado prédios públicos, lojas e agências bancárias em Porto Alegre durante os protestos dos últimos dias. Uma lista que relaciona o endereço de órgãos públicos e possíveis rotas das manifestações foi encontrada durante as investigações iniciadas para identificar os depredadores dentro do grupo que organiza os movimentos sociais. "Foi apreendida uma relação com os endereços de órgãos da segurança pública, sejam sedes de batalhões, sejam de delegacias da Polícia Civil, em Porto Alegre. Com certeza não havia um interesse muito nobre nesse mapeamento", ponderou o chefe da Polícia Civil gaúcha, delegado Ranolfo Vieira Jr.
As autoridades de segurança do Estado voltaram a reforçar que a prioridade é preservar e proteger a integridade física das pessoas, embora tenham sido alvo de críticas e apelo por partes de comerciantes da Capital após as depredações verificadas nas ruas da cidade. "Todas as nossas ações visam preservar a integridade física das pessoas. Nós fizemos um bom trabalho de integridade física", avaliou o secretário da Segurança Pública, Airton Michels. Ele ressaltou ainda que a maior parte dos manifestantes agiu de forma pacífica.
De acordo com o delegado Ranolfo Vieira Jr, a Polícia Civil está trabalhando diretamente com o Serviço de Inteligência durante toda a semana e checando as informações recebidas. "A BM precisa estar se aprimorando, acho que está havendo um crescimento, tanto por parte da nossa atividade quanto dos manifestantes e também dos depredadores. Há uma relação de força estabelecida e nós vamos aprimorar a nossa estratégia", completou o comandante Geral da Brigada Militar (BM), coronel Fábio Duarte Fernandes.
Agências bancárias e lojas foram depredadas
O principal alvo dos vândalos no protesto em Porto Alegre foram agências bancárias na área central e estabelecimentos comerciais do bairro Azenha. Vidraças foram quebradas, fachadas pichadas, contêineres queimados e lojas saqueadas.
Um dos locais mais danificados foi a agência bancária do Banrisul, na avenida João Pessoa. Dois caixas eletrônicos não escaparam da ação dos baderneiros. Na avenida Ipiranga, uma concessionária automotiva foi depredada pela segunda vez na semana. O estabelecimento comercial utilizou tapumes de madeiras para evitar novos atos de vandalismo, mas os objetos não impediram a ação dos criminosos
Conforme o último balanço da corporação, além da Capital, outras 35 cidades do Estado tiveram manifestações nessa quinta-feira. Pelo menos 90 mil pessoas foram às ruas. Em Porto Alegre, estima-se que cerca de 20 mil manifestantes tenham participado dos protestos.

Prédios públicos, lojas e bancos foram atacados durante protestos em Porto Alegre

Depredações ocorreram no final de protesto em Porto Alegre Crédito: Vinícius Roratto
Depredações ocorreram no final de protesto em Porto Alegre Crédito: Vinícius Roratto
A cúpula da Segurança Pública do Rio Grande do Sul disse, em entrevista coletiva nesta sexta-feira, que identificou supostos alvos dos vândalos que têm danificado prédios públicos, lojas e agências bancárias em Porto Alegre durante os protestos dos últimos dias. Uma lista que relaciona o endereço de órgãos públicos e possíveis rotas das manifestações foi encontrada durante as investigações iniciadas para identificar os depredadores dentro do grupo que organiza os movimentos sociais. "Foi apreendida uma relação com os endereços de órgãos da segurança pública, sejam sedes de batalhões, sejam de delegacias da Polícia Civil, em Porto Alegre. Com certeza não havia um interesse muito nobre nesse mapeamento", ponderou o chefe da Polícia Civil gaúcha, delegado Ranolfo Vieira Jr.
As autoridades de segurança do Estado voltaram a reforçar que a prioridade é preservar e proteger a integridade física das pessoas, embora tenham sido alvo de críticas e apelo por partes de comerciantes da Capital após as depredações verificadas nas ruas da cidade. "Todas as nossas ações visam preservar a integridade física das pessoas. Nós fizemos um bom trabalho de integridade física", avaliou o secretário da Segurança Pública, Airton Michels. Ele ressaltou ainda que a maior parte dos manifestantes agiu de forma pacífica.
De acordo com o delegado Ranolfo Vieira Jr, a Polícia Civil está trabalhando diretamente com o Serviço de Inteligência durante toda a semana e checando as informações recebidas. "A BM precisa estar se aprimorando, acho que está havendo um crescimento, tanto por parte da nossa atividade quanto dos manifestantes e também dos depredadores. Há uma relação de força estabelecida e nós vamos aprimorar a nossa estratégia", completou o comandante Geral da Brigada Militar (BM), coronel Fábio Duarte Fernandes.
Agências bancárias e lojas foram depredadas
O principal alvo dos vândalos no protesto em Porto Alegre foram agências bancárias na área central e estabelecimentos comerciais do bairro Azenha. Vidraças foram quebradas, fachadas pichadas, contêineres queimados e lojas saqueadas.
Um dos locais mais danificados foi a agência bancária do Banrisul, na avenida João Pessoa. Dois caixas eletrônicos não escaparam da ação dos baderneiros. Na avenida Ipiranga, uma concessionária automotiva foi depredada pela segunda vez na semana. O estabelecimento comercial utilizou tapumes de madeiras para evitar novos atos de vandalismo, mas os objetos não impediram a ação dos criminosos
Conforme o último balanço da corporação, além da Capital, outras 35 cidades do Estado tiveram manifestações nessa quinta-feira. Pelo menos 90 mil pessoas foram às ruas. Em Porto Alegre, estima-se que cerca de 20 mil manifestantes tenham participado dos protestos.
Gilberto Simon  21/6/2013 às 15:54 http://wp.me/pl9z0-cLC

Teoria das Janelas Quebradas


Há alguns anos, a Universidade de Stanford (EUA), realizou uma experiência de psicologia social. Deixou duas viaturas idênticas, da mesma marca, modelo e até cor, abandonadas na via pública. Uma no Bronx, zona pobre e conflituosa de Nova York e a outra em Palo Alto, uma zona rica e tranquila da Califórnia. Duas viaturas idênticas abandonadas, dois bairros com... populações muito diferentes e uma equipe de especialistas em psicologia social estudando as condutas das pessoas em cada local.

Resultou que a viatura abandonada em Bronx começou a ser vandalizada em poucas horas. Perdeu as rodas, o motor, os espelhos, o rádio, etc. Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar, destruíram. Contrariamente, a viatura abandonada em Palo Alto manteve-se intacta.

Mas a experiência em questão não terminou aí. Quando a viatura abandonada em Bronx já estava desfeita e a de Palo Alto estava há uma semana impecável, os pesquisadores partiram um vidro do automóvel de Palo Alto. O resultado foi que se desencadeou o mesmo processo que o de Bronx, e o roubo, a violência e o vandalismo reduziram o veículo ao mesmo estado que o do bairro pobre. Por quê que o vidro partido na viatura abandonada num bairro supostamente seguro, é capaz de disparar todo um processo delituoso? Evidentemente, não é devido à pobreza, é algo que tem que ver com a psicologia humana e com as relações sociais.

Um vidro partido/quebrado numa viatura abandonada transmite uma idéia de deterioração, de desinteresse, de despreocupação. Faz quebrar os códigos de convivência, como de ausência de lei, de normas, de regras. Induz ao “vale-tudo”. Cada novo ataque que a viatura so fre reafirma e multiplica essa idéia, até que a escalada de atos cada vez piores, se torna incontrolável, desembocando numa violência irracional.

Baseados nessa experiência, foi desenvolvida a ‘Teoria das Janelas Partidas’, que conclui que o delito é maior nas zonas onde o descuido, a sujeira, a desordem e o maltrato são maiores. Se se parte um vidro de uma janela de um edifício e ninguém o repara, muito rapidamente estarão partidos todos os demais. Se uma comunidade exibe sinais de deterioração e isto parece não importar a ninguém, então ali se gerará o delito.

Se se cometem ‘pequenas faltas’ (estacionar em lugar proibido, exceder o limite de velocidade ou passar com o sinal vermelho) e as mesmas não são sancionadas, então começam as faltas maiores e delitos cada vez mais graves.Se se permitem atitudes violentas como algo normal no desenvolvimento das crianças, o padrão de desenvolvimento será de maior violência quando estas pesso as forem adultas.

Se os parques e outros espaços públicos deteriorados são progressivamente abandonados pela maioria das pessoas, estes mesmos espaços são progressivamente ocupados pelos delinquentes.

A Teoria das Janelas Partidas foi aplicada pela primeira vez em meados da década de 80 no metrô de Nova York, o qual se havia convertido no ponto mais perigoso da cidade. Começou-se por combater as pequenas transgressões: lixo jogado no chão das estações, alcoolismo entre o público, evasões ao pagamento de passagem, pequenos roubos e desordens. Os resultados foram evidentes. Começando pelo pequeno conseguiu-se fazer do metrô um lugar seguro.

Posteriormente, em 1994, Rudolph Giuliani, prefeito de Nova York, baseado na Teoria das Janelas Partidas e na experiência do metrô, impulsionou uma política de ‘Tolerância Zero’. A estratégia consistia em criar comunidades limpas e ordenadas, não permitindo transgressões à Lei e às norm as de convivência urbana. O resultado prático foi uma enorme redução de todos os índices criminais da cidade de Nova York.

A expressão ‘Tolerância Zero’ soa a uma espécie de solução autoritária e repressiva, mas o seu conceito principal é muito mais a prevenção e promoção de condições sociais de segurança. Não se trata de linchar o delinqüente, pois aos dos abusos de autoridade da polícia deve-se também aplicar-se a tolerância zero.

Não é tolerância zero em relação à pessoa que comete o delito, mas tolerância zero em relação ao próprio delito.Trata-se de criar comunidades limpas, ordenadas, respeitosas da lei e dos códigos básicos da convivência social humana.

Essa é uma teoria interessante e pode ser comprovada em nossa vida diária, seja em nosso bairro, na rua onde vivemos.

A tolerância zero colocou Nova York na lista das cidades seguras.

Esta teoria pode também explicar o que acontece aqui no Brasil com corrupção, impunidade, amoralidade, criminalidade, vandalismo, etc.